quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Associativismo - História (1)

No sentido de acordar alguns matosinhenses, iniciamos a história que nós conhecemos, porque a vivemos, sobre o Associativismo na nossa terra.
Corro o risco de ser acusado de revivalista, mas gostaria não só de alertar para a necessidade de de voltarmos a ser que faz cidadania, convivendo, discutindo, partilhando um pouco de nós todos.
A minha vida posso dizê-lo, sem receio, foi iniciada dentro das portas do Orfeão de Matosinhos. Devo esse primeiro passo a um leceiro incansável pelas coisas da sua e nossa terra - o Zé Branco, como era mais conhecido, o comerciante José Fernando Branco, com o seu estabelecimento na esquina das ruas dos Dois Amigos e Hintze Ribeiro.
Ele era um cliente da conhecida casa Reparações e Construções Económicas, mais conhecido pelo Nanas, uma grande drogaria na rua de Brito Capelo e que foi quem construíu, entre outras coisas, o Mercado Municipal de Matosinhos.
Eu era um empregado naquela casa, nos meus 17 anos e o Zé Branco convidou-me para fazer parte do Coro do Orfeão de Matosinhos, que vivia uma época de mudez, mas que estava a ensaiar o Hino de Matosinhos, escrito pelo então músico residente em Matosinhos, na Rua de Álvaro Castelões, para ser cantado quando da inauguração do obelisco que se encontra no cimo da rua do Godinho. Eu aceite. Era o final de 1952. Os ensaios fizeram-se na Banda de Matosinhos e foi um êxito.
E o êxito foi maior porque com a formação do coral, ressurgiria o Orfeão de Matosinhos. Era dado início a uma época de grande afirmação, com o maestro Francisco Barbosa, que havia dirigido o Orfeão de Portugal, no Rio de Janeiro.
O presidente da Direcção era o dr. Fernando Costa, sócio do Externato Académico de Leixões (escola secundária que existia, do lado de Leça da Palmeira, nos terrenos hoje ocupados pela Ponte Móvel. Este senhor foi casado com uma filha do industrial de conservas espanhol D. Abeijon Mora, que possuia uma bonita vivenda onde hoje foi construído um grande prédio e está a Confeitaria Ferreira, junto do Parque Basílio Teles.
O tesoureiro do Orfeão era o saudoso Albano Bastos, das relojoaria com o mesmo nome, homem que foi durante anos a alma da colectividade, a par doutros nomes como Álvaro da Assunção, José Moreira (Casa Angola), Álvaro Ferro, Joaquim Carvalho (mais conhecido pelo detective, por ser funcionário dos serviços policiais que existiam junto da Câmara Municipal).
Nascia, naquele tempo, uma época de mais de 20 anos de associativismo do mais puro. E nós iremos, se possível todos dias, contar alguns bons motivos de recordação e de motivação, esperando que outras vozes apareçam.

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Ainda o associativismo

Por deficiência na busca de foto, o meu regresso ao este espaço global de debate foi prejudicado. É nossa intenção "vir à rua", junto dos meus conterrâneos, discutir um sentimento que me ajudou a crescer (embora o 1,67 não abone nada...), pois foi embrulhado no associativismo que fomos atirados para a vida. O Orfeão de Matosinhos para mim - e para muitos - foi a nossa segunda casa e, quantas vezes, quase a primeira. Pais e filhos ali conviveram. Várias gerações. Mas havia mais "ninhos", mais "berços", mais "escolas". O Rancho Infantil com o seu grupo folclórico e com a sua inesquecível equipa de teatro que ofereceu à nossa terra momentos que ainda hoje são recordados e deram mais vida a nomes como José Gamboa, Ferreira dos Santos e Manuel Seabra. E que dizer do Aurora da Liberdade? Uma referência nacional no acolhimento de famílias como no teatro feito por amadores. A Banda de Matosinhos. A Juventude Antoniana, em Leça da Palmeira. A Acção Católica. E porque não a Mocidade Portuguesa, pois fui um daqueles que vestiu a farda e gostou de a vestir, visitando terras de Portugal e vivendo momentos de confraternização que um filho de um simples alfaiate não tinha possibilidades financeiras de pagar do seu bolso. E nunca ninguém me pediu para dar vivas a Salazar. Mais: nunca gostei do chefe, mas isso são outros histórias. Ali comecei a escrever num jornal de parede. Na Juventude Operária Católica fui, isso sim, seguidor da palavra de Monsenhor Cardijn, o padre-operário belga. Fiz parte de um grupo que vendi o jornal Juventude Operário longe dos olhares das autoridades. Éramos muitos. Fui um daqueles que rodeei D. Manuel Vieira Pinto, mais tarde bispo, mas antes assistente diocesano da JOC. Aprendi que os padres devem descer do altar e viver no meio do povo, o que ainda hoje tarda a acontecer.
Matosinhos tinha, então, muita vida, graças ao associativismo. Hoje, não. A política partidária afastou as pessoas, criaram-se, ainda mais, as distâncias entre as pessoas. A televisão espatifou a sociedade.
Há que regressar, pois começamos a estar fartos de vivermos no nosso canto, espreitando a Internet e sabendo mais o que se passa em Singapura do que em Matosinhos.
O Orfeão de Matosinhos não pode ter de encerrar as portas, alguns dias porque não tem frequência. O Aurora da Liberdade, que construiu uma nova sede, começa a pensar em ter espaço em demasia e ter de se desfazer de um edifício. A Banda de Matosinhos só tem o nome na porta da entrada. Os movimentos juvenis escasseiam, mas as discotecas e os bares proliferam.
Está na hora de discutir esta situação. Nem que nos chamem "bota de elástico".

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Que é feito do Associativismo?

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Os dias de Portugal

Festejamos o Dia de Portugal. Houve paradas e discursos. Foguetes, gente e homenagens. Estas tardias, sobretudo a Salgueiro Maia. As outras - as medalhas e as comendados - fizeram parte de um país "en comendado", no qualquer dia, há mais comendadores do que comendas. E alguns desses comendadores andam para aí e são umas grandes...encomendas.
Gostávamos de saber quantos foram aqueles que ouviram António Barreto e perceberam a sua mensagem, tal como quantos ouvidos se abriram às palavras de Cavaco Silva. No mesmo, de tarde, o país continuou como até uma hora antes: deixa correr. 
Agora, meus amigos, o país parou e não há quem não saiba que o Cristiano Ronaldo vai ganhar cinco mil contos por dia! E viva Portugal.
Que pena tenho de meus netos.

terça-feira, 9 de Junho de 2009

E agora?

O Presidente da República, quanto a nós bem, vetou a nova lei de financiamento dos partidos para efeitos eleitorais. Uma lei que, estranhamente ou talvez não, foi aprovada por unanimidade por todas as forças políticas. Gastadores e poupadinhos. Alguns, convencidos que em Belém a coisa iria passar, já devem ter gasto algum por conta nas últimas eleições europeias. Muitos até foi dinheiro deitado ao vento.
A verdade é que Cavaco Silva decidiu: tomem lá o trabalhinho que fizeram e aprovaram porque eu não estou de acordo. Vamos agora ver o que vai acontecer. Voltará a haver unanimidade? Certamente que sim, pois as facturas terão de ser pagas.
E o Presidente da República tem de aturar estes políticos. Com espírito democrático. E nós, só nos resta fazer cada vez mais aderir ao PA ou ao PVB - Partido da Abstenção ou o Partido do Voto em Branco. 

quinta-feira, 4 de Junho de 2009

"Feira da Ladra" do voto

Domingo, segundo o calendário eleitoral e a barulheira que vai por aí fora, o povo português lá terá de ir às urnas, iniciando um ciclo de três embates. Agora dizem que é para a eleição dos deputados para o Parlamento Europeu, espaço no qual se discutem os problemas da Europa, discussões que raramente chegam ao conhecimento do povo, sobretudo os portugueses, que sé se apercebem dos resultados quando aparecem as chamadas e muitas vezes hilariantes directivas. 
Agora, há duas semanas, andam por aí os candidatos a um salário de cerca de 10 mil euros a procurar os donos dos votos. E quando se esperava que eles falassem ao menos das coisas bonitas de Bruxelas e Estrasburgo, nada disso. O PSD ataca Sócrates, desde a cor e o estilismo do fato até às complicadas situação do licenciamento do Freeport. Por sua vez, o PS põe em cacos os sociais democratas por causa da falência do BPN. Pelo meio aparece o Presidente da República a dar explicações das suas poupanças quando não sonhava ainda ir para Belém. O PCP desanca em tudo o que mexe desde que, sobretudo, venha do lado do PS. O Bloco de Esquerda a viver uma hora de euforia, ainda vai falando em Durão Barroso, mas o CDS, de feira em feira, também faz profissão de fé na desgraça do BPN.
Perante toda esta "feira da ladra" quanto à oferta de votos o Zé fica baralhado, porque ao fim e ao cabo isso da Europa, afinal, é uma treta. 
E nem sequer o Zé poderá descansar, pois na próxima segunda-feira, face aos resultados, lá se começam todos a engalfinhar para as Legislativas. Vão ser mais de três meses de "maioria absolua", "maioria relativa", "bloco central", mentiras, meias-verdades, casos de polícia. E o Zé enrolado lá terá de votar novamente.
E quando julga o "portuga" que, finalemnte, vamos trabalhar, lá o barulhoi passa para a porta de cada um com a escolha do novo ou do velho "senhor presidente da Câmara" e da Junta de Freguesia.
Só lá para o Natal é que tudo terminará. Mas terminará mesmo?

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Obrigado, António

Na tarde do passado sábado foi para nós gratificante ser um dos muitos que testemunharam e com aplausos, a apresentação do triptíco literário de António Cunha Silva sobre a sua vida artistica, centrada, sobretudo, nos últimos 40 anos.
Tivemos o privilégio de o acompanharmos no trepar da íngreme escadaria do sucesso. Nós, de longe e ele subindo, subindo cada vez mais na busca da sua aventura no agarrar, para sempre, de Matosinhos e dos seus artistas, com grande enfoque em Leça da Palmeira. 
António Cunha e Silva não se furtou a recordar todos aqueles que com ele viveram esta passagem pela vida de quase meio século, sem esquecer a família.
Merecidíssimas as inesquecíveis palavras proferidas pelo Presidente da Câmara, também ele um cidadão matosinhense que percebe, muito bem, quem tem trabalhado pela sua terra.
Obrigado, António.