No sentido de acordar alguns matosinhenses, iniciamos a história que nós conhecemos, porque a vivemos, sobre o Associativismo na nossa terra.Corro o risco de ser acusado de revivalista, mas gostaria não só de alertar para a necessidade de de voltarmos a ser que faz cidadania, convivendo, discutindo, partilhando um pouco de nós todos.
A minha vida posso dizê-lo, sem receio, foi iniciada dentro das portas do Orfeão de Matosinhos. Devo esse primeiro passo a um leceiro incansável pelas coisas da sua e nossa terra - o Zé Branco, como era mais conhecido, o comerciante José Fernando Branco, com o seu estabelecimento na esquina das ruas dos Dois Amigos e Hintze Ribeiro.
Ele era um cliente da conhecida casa Reparações e Construções Económicas, mais conhecido pelo Nanas, uma grande drogaria na rua de Brito Capelo e que foi quem construíu, entre outras coisas, o Mercado Municipal de Matosinhos.
Eu era um empregado naquela casa, nos meus 17 anos e o Zé Branco convidou-me para fazer parte do Coro do Orfeão de Matosinhos, que vivia uma época de mudez, mas que estava a ensaiar o Hino de Matosinhos, escrito pelo então músico residente em Matosinhos, na Rua de Álvaro Castelões, para ser cantado quando da inauguração do obelisco que se encontra no cimo da rua do Godinho. Eu aceite. Era o final de 1952. Os ensaios fizeram-se na Banda de Matosinhos e foi um êxito.
E o êxito foi maior porque com a formação do coral, ressurgiria o Orfeão de Matosinhos. Era dado início a uma época de grande afirmação, com o maestro Francisco Barbosa, que havia dirigido o Orfeão de Portugal, no Rio de Janeiro.
O presidente da Direcção era o dr. Fernando Costa, sócio do Externato Académico de Leixões (escola secundária que existia, do lado de Leça da Palmeira, nos terrenos hoje ocupados pela Ponte Móvel. Este senhor foi casado com uma filha do industrial de conservas espanhol D. Abeijon Mora, que possuia uma bonita vivenda onde hoje foi construído um grande prédio e está a Confeitaria Ferreira, junto do Parque Basílio Teles.
O tesoureiro do Orfeão era o saudoso Albano Bastos, das relojoaria com o mesmo nome, homem que foi durante anos a alma da colectividade, a par doutros nomes como Álvaro da Assunção, José Moreira (Casa Angola), Álvaro Ferro, Joaquim Carvalho (mais conhecido pelo detective, por ser funcionário dos serviços policiais que existiam junto da Câmara Municipal).
Nascia, naquele tempo, uma época de mais de 20 anos de associativismo do mais puro. E nós iremos, se possível todos dias, contar alguns bons motivos de recordação e de motivação, esperando que outras vozes apareçam.


